O lipedema é uma condição médica que afeta principalmente mulheres, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1940, essa doença ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade ou excesso de peso. No entanto, o lipedema possui características distintas que o diferenciam de outras condições, exigindo atenção especial para seu diagnóstico e tratamento adequados.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu oficialmente o lipedema, e em 2022, a condição foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Esse reconhecimento representa um passo importante para aumentar a conscientização sobre a doença e melhorar o acesso a tratamentos adequados para as pessoas afetadas.

Sinais e sintomas do lipedema

Identificar o lipedema pode ser desafiador, pois seus sintomas podem ser confundidos com outras condições. No entanto, existem alguns sinais característicos que podem ajudar a reconhecer a doença:

  1. Acúmulo desproporcional de gordura: O lipedema causa um aumento de volume nas pernas e, às vezes, nos braços, enquanto o tronco permanece relativamente magro.
  2. Dor e sensibilidade: As áreas afetadas frequentemente apresentam dor e sensibilidade ao toque.
  3. Hematomas fáceis: As pessoas com lipedema tendem a desenvolver hematomas com mais facilidade nas áreas afetadas.
  4. Pele fria: A pele nas regiões afetadas pode parecer mais fria ao toque em comparação com outras partes do corpo.
  5. Formato característico: As pernas podem apresentar um formato de “coluna”, com acúmulo de gordura da cintura até os tornozelos.
  6. Resistência à perda de peso: A gordura acumulada no lipedema não responde bem a dietas e exercícios convencionais.

É importante ressaltar que esses sintomas podem variar em intensidade e combinação entre as pessoas afetadas.

Como identificar o lipedema

Identificar o lipedema pode ser um processo complexo, pois muitos de seus sintomas se sobrepõem a outras condições. No entanto, existem algumas etapas que podem ajudar no diagnóstico:

  1. Avaliação médica: Um profissional de saúde experiente pode realizar um exame físico detalhado e avaliar o histórico médico do paciente.
  2. Exames de imagem: Ultrassonografia ou ressonância magnética podem ser úteis para visualizar a distribuição de gordura e descartar outras condições.
  3. Teste de Stemmer: Este teste simples verifica se é possível levantar uma dobra de pele na base do segundo dedo do pé. Se não for possível, pode indicar lipedema.
  4. Histórico familiar: O lipedema tem um componente genético, então a presença da condição em outros membros da família pode ser um indicativo.
  5. Resposta a dietas e exercícios: Se as áreas afetadas não respondem a mudanças no estilo de vida, isso pode sugerir lipedema.
  6. Avaliação da simetria: O lipedema geralmente afeta ambos os lados do corpo de forma simétrica.

Diferenciando lipedema de outras condições

É comum confundir o lipedema com outras condições, como obesidade, linfedema ou celulite. No entanto, existem algumas diferenças importantes:

  1. Obesidade: Ao contrário da obesidade, o lipedema afeta principalmente as pernas e braços, poupando o tronco.
  2. Linfedema: Enquanto o linfedema causa inchaço devido ao acúmulo de líquido linfático, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo de gordura.
  3. Celulite: Embora a celulite possa estar presente no lipedema, ela não é a causa principal dos sintomas.
  4. Edema: O edema geralmente responde à elevação das pernas, enquanto o inchaço no lipedema não melhora significativamente com essa medida.
Mulher sentada em pose confortável, destacando características físicas comuns ao lipedema.
Particularidades do lipedema e a importância do diagnóstico correto. Imagem: Freepik

Fatores de risco e causas do lipedema

Embora a causa exata do lipedema ainda não seja totalmente compreendida, alguns fatores parecem aumentar o risco de desenvolver a condição:

  1. Gênero: O lipedema afeta quase exclusivamente mulheres.
  2. Genética: Há evidências de uma predisposição genética para o lipedema.
  3. Hormônios: Mudanças hormonais, como na puberdade, gravidez ou menopausa, podem desencadear ou agravar o lipedema.
  4. Obesidade: Embora o lipedema não seja causado pela obesidade, o excesso de peso pode piorar os sintomas.
  5. Inflamação crônica: Acredita-se que a inflamação desempenhe um papel no desenvolvimento do lipedema.
  6. Disfunção do tecido adiposo: Alterações na forma como o corpo processa e armazena gordura podem contribuir para o lipedema.

Opções de tratamento para o lipedema

Embora não exista cura para o lipedema, existem várias opções de tratamento que podem ajudar a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida:

  1. Terapia de compressão: O uso de meias de compressão pode ajudar a reduzir o inchaço e melhorar a circulação.
  2. Drenagem linfática manual: Esta técnica de massagem especializada pode ajudar a estimular o sistema linfático e reduzir o inchaço.
  3. Exercícios específicos: Atividades de baixo impacto, como natação e caminhada, podem ajudar a melhorar a circulação e o tônus muscular.
  4. Dieta anti-inflamatória: Uma alimentação rica em alimentos anti-inflamatórios pode ajudar a reduzir a inflamação associada ao lipedema.
  5. Lipoaspiração: Em casos mais avançados, a lipoaspiração pode ser considerada para remover o excesso de gordura.
  6. Apoio psicológico: A terapia pode ajudar a lidar com os aspectos emocionais da condição.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *